Depois do parto, quais as alterações físicas na mulher? Recomendações? Sinais de Alerta?
Durante a gravidez e pós-parto ocorrem alterações no corpo da mulher, nomeadamente nas mamas, no útero, na vagina/períneo, nos músculos abdominais e pélvicos (Ferreira, 2016). Assim como no sistema circulatório (ligeiro aumento da tensão arterial nos primeiros 4 a 5 dias e risco de trombose venosa profunda), endócrino (diminuição da progesterona e estrogénios, aumento da prolactina), urinário e gastrointestinal (hemorroidas e obstipação).
Nesta fase recomenda-se amamentar em horário livre, a
pega e posicionamento corretos durante a amamentação, a expressão manual de
leite materno e a aplicação de calor ou frio com base nas preferências da
mulher (Santos e Baptista, 2016; OMS,
2022).
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| Figura 2 - Involução uterina |
A cicatrização do endométrio (camada mais interna do
útero) demora cerca de 3 semanas e a cicatrização do local de inserção da
placenta demora cerca de 6 semanas (Ferreira,2016).
Após o parto ocorre a saída dos lóquios (figura 3) através da
vagina, que consiste em sangue, restos de decídua e trofoblasto e é vermelho
(semelhante ao fluxo menstrual abundante). Cerca do 4º dia torna-se mais rosado
e é composto por sangue envelhecido, soro e restos tecidulares. Cerca do 10º
dia ficam mais acastanhados ou amarelados e é constituído por glóbulos brancos,
células epiteliais, muco, soro e bactérias. Pode durar de 2 a 6 semanas após o
parto (Ferreira, 2016).
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| Figura 3 - Lóquios |
A vagina volta ao seu estado normal entre a 3ª e a 8ª
semana. A diminuição de estrogénios causa diminuição da lubrificação, podendo
causar dor nas relações sexuais, sendo recomendado a utilização de
lubrificantes à base de água (Ferreira, 2016).
Pode ocorrer dor ou
desconforto resultante da laceração/sutura perineal, recomendando-se a
aplicação de gelo protegido com uma compressa (Santos e
Baptista, 2016; OMS, 2022), a toma oral de 1 grama de
paracetamol (OMS, 2022) de 8/8 horas (se não houver contraindicação e/ou
alergias), se manter a dor sobretudo nos primeiros dias, higiene cuidada e
manutenção da zona seca, assim como a mudança frequente de pensos higiénicos não
ultrapassando as 4 horas pelo risco de infeção. Os pontos caiem entre o 8º e
10º dia (Santos e Baptista, 2016).
A recuperação do músculo
abdominal demora cerca de 6 a 8 semanas (Santos e Baptista, 2016). Após o parto a puérpera pode iniciar exercícios físicos
suaves nos primeiros dias (contrair os músculos abdominais quando expira e em
seguida relaxar) segundo Santos e Baptista (2016) e exercícios do pavimento pélvico sobretudo na
incontinência urinária de esforço (OMS, 2022) também são recomendados.
Se o parto foi uma cesariana (figura 4) é recomendado evitar esforços, amamentar numa posição confortável e apoiar a sutura (cicatriz) se tossir ou na mobilização (quando se deita ou levanta por exemplo). Os pontos externos são retirados entre o 8º e 10º dias. Após tirar os pontos, deve massajar a sutura com creme gordo (Santos e Baptista, 2016).
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| Figura 4 - cesariana |
Se não houver contraindicação
é recomendado realizar atividade física regular durante todo o período
pós-parto, pelo menos durante 150 minutos por semana, incorporar uma variedade
de atividade física e de fortalecimento muscular e adicionar alongamento suave
também pode ser benéfico (Santos e Baptista, 2016; OMS, 2022).
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| Figura 5 - Roda dos Alimentos |
Em suma, para uma boa
recuperação física é importante o autocuidado como os cuidados de higiene,
alimentação saudável, exercício físico adequado e dormir/descansar sempre que
possível. A amamentação também contribui para a recuperação física, uma vez que
promove a involução uterina. Poderá fazer a avaliação da diástase abdominal a
partir das 6/8 semanas e do pavimento pélvico, sobretudo se tiver perdas de
urina e/ou fezes.
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SINAIS DE ALERTA: |
DGS (2021). Alimentação e nutrição na gravidez,
. www.dgs.pt Ferreira, A. F. (2016).
Fisiologia do Puerpério. In Marques, R., Néné, M. & Sequeira, C.
Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. (438-442). Lidel; Organização Mundial de Saúde. (2022). WHO
recommendations on maternal and newborn care for a positive postnatal
experience; Santos, M.J,.
& Baptista M.C (2016). In Marques, R., Néné,
M. & Sequeira, C. Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. (455-472); Imagens: Figura1:https://www.atlasdocorpohumano.com/p/imagem/liquidos-e-secrecoes/secrecoes-corporais/colostro/ Figura 2: https://okdiario.com/bebes/involucion-uterina-2728809 4.
Figura 3: https://mama20.webnode.pt/o-regresso-a-casa/ 5.
Figura 4: https://br.pinterest.com/pin/521925044319177076/
6.
Figura 5:
DGS (2021) |
Berta Pena
Enfermeira OE29613





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